Professor Fernando Teixeira de Andrade
Do curso e colégio Objetivo
Muito pouco se sabe das antigas populações que habitaram a Península Ibérica do século III a.C., quando os romanos a invdiram para expulsar as tropas cartaginesas de Aníbal, na segunda Guerra Púnica, iniciando o processo de romanização da região. A população local constituía uma complexa mistura de raças; celtas, iberos, púnico-fenício, lígures, gregos e outros grupos mal identificados, que quase nada conservaram suas línguas nativas.
Apesar da resistência de alguns povos do norte, já no século I d.C., toda a Península se rimanizara, e o latim passou a ser a língua comum, com excessão das regiões montanhosas do norte, onde as populações mentiveram a língua nativa, o basco,que até hoje é falado.
O latim levado pelos dominadores era o latim vulgar (sermo vulgaris), denominação que compreende as inúmeras variedades da língua falada pelos soldados, colonos e funcionários romanos. Esse latim vulgar, mesmo em roma, diferia do latim literário ou clássico (sermo litterarius), escrito com intenções artiticas, sob influência grega, e que foi se depurando até atingir, no século I a.C.,a alta perfeição da prosa de Cícero ou da poesia de Virgílio e Horácio. Com o tempo, foi-se acentuando a diferença entre a língua literária, praticada por uma pequena elite, e a linguá corrente, falada pelos mais variados grupos sociais e étnicos da Itália e das províncias incorporadas ao Império Romano, que, sob o governo de Trajano, atingiu o máximo de sua extensão geográfica, da Lusitânia à Mesopotâmia, e do norte da África à Grã-Bretanha.
Falado em tamanha área geográfica, por povos de raças tão diversas, o latim vulgar perdeu sua unidade, já precária de origem, pois servia de meio de comunicação a variadas comunidades de analfabetos. Nos centros urbanos mais importantes, o ensino do latim difundia o padrão literário e, com isso, retardava os efeitos das forças de diferenciação. Mas, no campo, nas vilas e aldeias, a língua sem nenhum controle normativo, passou por um processo irreversível de dialetalização. já no século III da nossa era, a unidade lingüística do império não mais existia, ainda que sobrevivessem os vínculos políticos e certa comunidades de civilização. É o que se chama de romãnia, em contraste com a Barbária, as regiões habitadas por outros povos.
alguns fatos históricos contribuíram para acelerar o processo de dialetalização. Entre eles, destacamos:
-desde 212, o édito de Caracala estendera o direito de cidadania a todos os indivíduos livres do Império, com o que roma e a itália começaram a perder a situação provolegiadaque desfrutavam.
-Diocleciano, que governou de 284 a 305, instituiu a obrigatoriedade do latim como língua da administração, mas anulou os efeitos unificadores dessa medida ao descentralizar política e aministrativamente o Império em doze dioceses, aguçando os "nacionalismos" regionais e locais.
-Em 330, constantino, que se tornara defensor do cristianismo, tranferiu a sede d Império para Bizâncio, a nova Constantinopla. roma, destituída da condição de capital, deixou de exercer a função de reitora da norma lingüistica
-Com a morte de Teodósio, em 395, o império foi dividido entre seus dois filhos. Arcáadio ficou com o Império do oriente, que teve vida longa, perdurando até 1453. honório ficou com o Império do ocidente, que, depois de sucessivas invasões (hunos, visigodos, ostrogodos, burguinhões, suevos, alanos e vândalos), sucumbiu em 476, quando o Odoacro destronou o imperador fantoche Romulus augustus, apelidado com o diminutivo Augustulus, "Augustinho".
As forças ling6uisticas desagregadoras impuseram-se rapidamentee, já no fim do século V,os falares regionais estavam mais próximos dos futuros idiomas românicos ou neolatinos do que o próprio latim. Começa o período que se denomina romanço ou romance (do latim romanice,, que significa "falar à maniera dos romanos"). é a denominação que se dá à língua vulgar nessa fase de transição, que termina com o aparecimento de textos redigidos em cada uma das línguas românicas: francês, italiano, espanhol, sardo, provençal, rético, catalão, galego-português, franco-provençal,dálmata e o romeno.
Entre os povos germânicos que invadiram a Península Ibérica, os visigodos, que eram os mais civilizados, impuseram-se aos demais (vândalos, suevos e alanos). O Império Visigótico perdurou até 711, quando rodrigo, o último rei godo, não pôde deter a invasão árabe. Esse império, que se pode chamar de romano-visigótico, tinha como religiaão o cristianismo e como língua o hispano-românico, legítimo continuador do latim vulgar. Excluídos os nomes próprios de pessoas e lugares, a contribuição goda para o léxico português é pequena, não excedendo de 40 termos.
EVOLUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Do latim ao português atual, reconhcem-se os seguintes períodos na evolução da Língua Portuguesa:
A- Latim lusitânico, língua falada na Lusitânia, desde a implantaçãodo latim até o éculo V, na qual não há documento escrito;
B- romance lusitânico, língua falada na Lusitânia, do século VI ao século IX, da qual também não há registro;
C- português prto-histórico, língua falada até fim do século XII, da qual há vestígio em palavras intercaladas nos documentos escritos em latim bárbaro ou em latim tabeliônico, usad nos registros cartórios. alguns livros didáticos incluem neste período os dosi anteriores.
D- português arcaico, do se´culo XII (fins) ao XVI, compreendendo dois períodos distintos:
D-1 - o galego-português, do século XII ao século XIV
D-2- o português médio, séculos XII ao XIV, em que ocorre a separação do galego-português em dois idiomas distintos, e a Língua Portuguesa inicia a transição entre a fase arcaica e a moderna.
E- português moderno, da segunda metade do século XVI até os nossos dias. Em 1536, com a primeira gramática de Fernão de Oliveira, a Língua Portuguesa começa a uniformizar-se. Nesse esmo século, com Luís de Camões, atinge a excelência literária.
"Dedico esta postagem ao saudoso e inigualável F.T."
