terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SONETO DE NATAL

Um homem, - era aquela noite amiga,
Noite cristão, berço do Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameni
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu"

Machado de Assis

Valentões do palácio

Se você fosse chamado de canalha por alguém, se apressaria a apertar a mão do desafeto, no dia seguinte, todo sorriso? Se você fosse acusado por alguém de financiar grupos delinquentes, aceitaria, também todo sorriso, o cumprimento de quem o acusou?
Se respondeu sim a ambas as perguntas, parabéns. Você está pronto paa ser presidente de algum país da América Latina.Foi esse, afinal o comportamento dos presidentes Álvaro Uribe (Colômbia), Hugo Chávez (venezuela), o Rafael Correa (Equador), na cúpula do Grupo do Rio.
Depois os políticos se queixam do crescente distanciamento entre representantes e representados, da crescente indiferença (ou repúdio ou nojo) dos mortais comuns do jogo político.
Sempre haverá algum debiloide com aquela bisão binária (e indigente)para retrucar: ah, então você queria que els fossem a guerra? (ou aos tapas, porque meter-se na selva mesmo e lá trocar tiros, nenhum deles passa perto).
O problema não é ir ou não a guerra ou aos tapas, mas ser sério ou não. É, no caso,não ter armado o formidável imbróglio que armaram. Se fossem sérios não precisarim depois praticar denas explícitas de hipocresia.
Cães que ladram para a Lua sãoa té engraçadinhos. Os governantes que o fazem são ridículos.

Clóvis Rossi

domingo, 21 de dezembro de 2008

O que esperar dos prefeitos

Roberto Pompeu de Toledo

A primeira coisa a esperar dos novos prefeitos, ou dos antigos que conseguiram renovar o mandato, é que gostem de ser prefeitos. Prefeito que não gosta de ser prefeito é caso mais mais freqüente do que se pensa. Político que ganha uma prefeitura é tentado a pensar que prefeitura é pouco para sus talentos e merecimentos. Seria apenas uma escala na viagem, o purgatório a aturar antes de galgar ao céu do governoe stadual, talvez mesmo à Presidência (por que não, para quem acaba de ganhar a eleição numa grande capital?) ou no mínimo às delícias de uma deputação ou uma senatoria.
A segunda coisa a esperar, decorrente da primeira, é que permaneçam no cargo até o fim do mandato. Político esta´sempre pensando no próximolance, como se sabe. Aliás, mais do que político, o analista político está sempre pensando no próximo lance. Mais se viu na imprensa artigo sore o efeito do resultado da eleição municial no quadro partidário ou na eleição presidencial do que naquilo que interessa, ou seja, na cidade. Muito se fala na febre de previsões que assola os economistas, mas a de que sofrem os comentaristas políticos a supera. O político, açulado pelo analista político, tende a ser tomado pela volúpia de querer mais, e com tal urgência que no meio do mandato já deixa o município para tentar a sorte num âmbito maior. Ou melhor: supostamente maior.
A terceira coisa a esperar dos novos prefeitos é que atentem para a grandeza e a complexidade deste invento humano que é a cidade, anterior, e muito mais engenhoso, aos da província e do país. A cidade surge no momento em que a espécie humana é assaltada pela necessidade de viver em vizinhança e empreender atividades dependentes umas das outras. Não é à toa que da palavra "cidade" derivem "cidadão" e "cidadania" e qu de "civitas", a ancestral latina de "cidade" decorram "civilidade" e "civilização". Um velho documento da história do Brasil, o diário de viagem de Martins Afonso de Sousa, afirma que esse oficiala da coroa portuguesa criou duas vilas no que viria a ser o território paulista, de forma que seus habitantes pudessem "viver em comunicação das artes" e usufruir de "uma vida segura e conversável".
Eis resumidos, na graça da linguagem quinhentista, alguns dos fundamentos da vida em cidades. Por "comunicação das artes", devem-se entender o inter-relacionamento entre os vários ofícios e o intercâmbio de serviços e marcadorias daí decorrente. Na referência à vida "conversável", "conversar" equivale a "conviver", mas não diexa de ser também o sentido que hoje emprestamos a "conversar" quando se tem em conta que conviver é falar com o outro. A cidade, lembranos esta palavra "conversável", tão bonita, ao modo em que está inserida no texto, é o lugar em que as pessoas se falam umas com as outras.
A quarta coisa a esperar dos prefeitos é que se dêem bem com os governadores. Esse item é dedicado em especial (talvez se devesse dizer em exclusividade) aos prefeitos das capitais. Uma capital estadual é lugar pequeno demais para abrigar um prefeito e um governador com turmas e ambições divergentes, e, quanto maior e mais importante for a capital, menor será para esse fim. Os espaços de atuação do prefeito da capital e do governador são tão próximos que às vezes se confundem. Movem-se, um e outro, a um do passo curto-circuito. A hostilidade entre ambos, tão comum na história brasileira, pode resultar fatal para as cidades como o bombardeio por uma força inimiga.
A quinta coisa talvez seja a mais utópica, mas vá lá: espera-se dos prefeitos que não tenham como horizonte apenas seus quatro (ou oito) anos de mandato. Político gosta é de inaugurar, e se não tem a inauguração ao alcance do mandato tende a pensar duas vezes antes de iniciar a empreitada. Esse é um dos otivos pelos quais as pgrandes cidades brasileiras estão tãoa ttrasadas na mais crucial das obras para a questão do trânsito - a montagem de uma capilar rede de metrô.

Revista Veja
5 de novembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

Legado aos nossos filhos

Luft Lya

O mundo avança em vertiginosas transformações, e não é só nas finanças ou economia mundiais: ele se transforma a todo momento em nossos usos e costumes, na vida, no trabalho, nos governos, na família, nos modelos que nos são apresentados, adescobertas, no progresso e na decadência.
O que nos enche de perplexidade, quando o assunto é filhos, é a parte de tudo isso que não conseguimos controlar, que é maior do que a outra. Se há 100 anos a vida era mais previsível - o pai mandava e o resta da família obedecia, o professor e o médico tinham autoridade absoluta, os governantes eram nossos heróis e havia trilhas fixas a ser seguidas ou seríamos considerados desviados -, hoje, ser diferente pode dar status.
Gosto de pensar na perplexidade quanto ao legado que podemos deixar no que depende de nós. Que não é nem aquele legado alardeado por nossos pais - a educação e o preparo - nem é o valor em dinheiro ou bens, que se evaporam ao primeiro vendaval nas fincaças ou na política. A mim me interessam outros bens, outros valores, os valores morais. O termo "morais" faz arquear sombrancelhas, cheira a religiosidade ou a moralismo, a preconceito de fariseu. Mas não é disso que falo: moralidade não é moralismo, e moral todos temos de ter. A gente gosta de dizer que está dando valores aos filhos. Pergunto: que valores? Morais, ora, decência, ética, trabalho, justiça social, por exemplo. É ótimo passar aos filhos o senso de alguma justiça social, mas então a gente indaga: você paga a sua empregada o mínimo que a lei exige ou o máximo que você pode? Penso que a maioria de nós responderia não à segunda parte da pergunta. Então, acaba já toda a conversa sobre justiça social, pois tudo ainda começa em casa e bem antes da escola.
Não adianta falar em ética, se vasculho bolsos e gavetas de meus filhos, se escuto atrás da porta ou na extensão do telefone - a não ser que a ameça das drogas justifique essa atitude. Não adianta falar de justiça, se trato miseravelmente meus funcionários. Não se pode falar em decência, se pulamos a cerca deslavadamente, quem sabe até nos fanfarronando diante dos filhos homens: ah, o velho aqui pode! Nem se deve pensar em respeito, se desrespeitamos quem nos rodeia, e isso vai dos empregados ao parceiro ou parceira, passando pelos filhos, é claro. Se sou tirana, egoísta, bruta: se sou tola, fútil, metida a gatinha gostosa; se vivo acima das minhas possibilidades e ensino isso aos meus filhos, o efeito sobre a moral deles e a sua visão da vida vai ser um desastre.
Temos então de ser modelos? Suprema chatice. Não, não temos de ser modelos: nós somos aquele primeiro modelo que crianças recebem e assimilam, e isso passa pelo ar, pelos poros, pelas palavras, silência e posturas. Gosto da historinha verdadeira de quando, esperando alguém no aeroporto, vi a meu lado uma jovem mãe com sua filhinha de uns 5 anos, leinda e alegres. De repente, olhando para as pessoas que chegavam atrás dos grandes vidros, a perfumada mãe disse à pequena:"Olha ali o boca-aberta do seu pai".
Nessa frase, que ela jamais imiginaria repetida numa rtigo de revista ou em palestras pelo país, moça definia seu ambiente familiar. Assim se definem ambintes na escola, no trabalho, nos governos, no mundo. Em casa, para começar. O palavrório sobre o que legaremos aos nossos filhos será vazio, se nossas atitudes forem egoístas, burras, grosseiras ou maliciosas. O resto é conversa fiada para a qual, neste tempo de graves assuntos, não temos tempo.

"O palavrório sobre o que legaremos aos nossos filhos será vazio, se nossas atitudes forem egoístas, burras, grosseiras ou maliciosas

Lya Luft
Veja
15 de outubro de 2008

Fernando Gabeira

Apesar da sua derrota apertadíssima na eleição para prefeito do Rio de Janeiro, foi daquelas raras ocasiões em que o perdedor sai dignificado, cresce em prestígio entre seus eleitores e também no plano nacional. Saiu dos último lugares nas prévias para chegar no segundo turno como favorito e perder por menos 55225 votos em um colégio eleitoral de 4,5 milhões de eleitores, o segundo maior do país.
Gabeira foi candidato do Partido Verde, uma legenda que nunca conseguiu empolgar ou encarnar o poderoso sentimento de preservação ecológica dos brasileiros dos grandes centros urbanos.
Gabeira não sujou cidade e nem atacou os adversários.

Revista Veja, novembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Eleições 2008 - Prefeitura da cidade de São Paulo

Revista Veja
5 de novembro de 2008

Na escada do poder, o prefeito Gilberto Kassab galgou bem mais do que um degrau ao derrotar em São Paulo, por uma diferença de 1,34 milhões de votos, a petista Marta Suplicy. Kassab oficializou sua entrada em um seletíssimo clube: o dos que vão ajudar a definir o cenário presidenciais em 2010. No seu caso, na qualidade de peça-chave da cada vez mais irrevogável candidatura do tucano José Serra.

Cuidado com o ficha limpa

Dos candidatos com ficha suja, o eleitor brasileiro já está careca de saber, como o Paulo Maluf, que dispensa comentários e que pertencem à velha politicagem consagrada como "rouba-mas-faz".
O problema, porém, é outro. Diz respeito aos políticos com bons antecedentes, que podem ser até mais nocivos do que os "fichas sujas", se a única régua para medir a eficiencia de um gestor público for mesmo o da ética. O Brasil, por exemplo, é governado por um mito operário de ficha limpíssima que manchou seu primeiro mandato com o mensalão. No segundo, eclodiram escândalos "menores", como a descoberta da venda ilegal da Varig ao cliente do seu compadre. O Estado de São Paulo, por sua vz, também tem um ficha limpa no comando, o governador José Serra, que faz de tudo para abafar as propinas do caso Alstom. Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves, de reputação ilibada, já foi citado numa planilha do valeoduto mineiro. No Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius, se vê às voltas com denúncias de mensalinho na Assembléi Legislativa não consegue explicar a compra de uma mansão em Porto Alegre. Por onde quer que se ande, sempre haverá um ficha limpa metido em algum escândalo. E 99% deles não respondem a qualquer acção na Justiça.
Isso demonstra que as listas com nomes de "corruptos de plantão" correm o risco de ser arbitrárias e injustas. Em alguns casos, quando a distância é sutil, leas podem transmitir ao eleitor a falsa noção de que alguns candidatos merecem a falsa noção de que alguns candidatos merecem mais créditos do que outros.

"Políticos com bons antecedentes podem ser bem mais perigosos. Seus mensalões quase sempre são perdoados"

Leonardo Attuch
Isto É
Julho de 2008

Quadro Político do Brasil em 2008

Fragmento da entrevista de Demétrio Magnoli para a Revista Veja, edição 2085 - ano 41 - nº 44 - 5 de novembro de 2008

A vontade de ser partido único (PT) não é um anacronismo?
A verdade é que a queda do Muro de Berlim fez muito mal ao PT. O fracasso da União Soviética e de seus satélites no Leste Europeu tirou de cena o foco da crítica petista, que em sua origem repudiava o chamado socialismo real. A partir daí, o partido tomou um rumo regressivo e foi dominado por três grupos. O primeiro é a corrente de origem castristas, representada, netre outros, por José Dirceu. O segundo é dos sindicalistas, notadamente os que controlam a CUT. O terceiro é formado pelas correntes católicas ligadas à Teologia da Libertação, cuja principal representante é Frei Betto, que foi um alto assessor de Lula. Com isso, o PT adotou uma ideologia retrógrada do estado como salvador da sociedade. Deixou de fazer qualquer crítica ao socialismo real - a não ser em dias de festa, em documentos para inglês ver - e passou a falar como um velho partido comunista de outros tempos. O PT se tornou agremiação de esquerda estatizante, para a qual a história é uma ferrovia cujo destino final é a redenção da humanidade - e que vê a si próprio como a locomotiva do comboio. Esse é o conceito de história que deveria ter desaparecido depois de 1989, com a queda do Muro de Berlim. Ao encampá-lo, o PT se tornou uma espécie de relíquia.

Por que a universidade brasileira ainda é um centro irradiador do marxismo?
Isso é verdade apenas em parte. Há bastante crítica à esquerda tradicional e stalinista nas universidades. Mas, sem dúvida, é fato que existe um apoio grande a essa ideologia no meio acadêmico. O filósofo francês Raymond Aron (1905-1983) disse que o marxismo é o ópio dos intelectuais. Isso porque o marxismo lhes oferece a ilusão de que são donos de um saber maior: o fim da história. Como conseqüencia, os intelectuais teria a função de dirigir a sociedade. É natural que uma ideologia assim os seduza. Afinal de contas, dá a eles uma perspectiva de poder, influência e prestígio que o simples compromisso com a democracia não permite.

O que explica a ascensão dessa esquerda obsoleta em países da América Latina?
A falta do espelho do socialismo real na União Soviética e no Leste Europeu faz com que a esquerda latino-americana se entusiasme com governantes como Hugo Chávez. A esquerda latino-amereciana ainda imagina que deve construir o mundo de novo. Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Lula são muito diferentes entre si. Mas o que há em comum entre os partidos e os movimentos que apóiam esses governantes é a noção do estado como instrumento de salvação. Essa é uma idéia fundementalmente antidemocrática. Não há nada parecido com isso fora da América Latina.

Quem são os principais entusiastas de Chávez no Brasil?
Não é verdade que o PT como todo siga Chávez, mas existem no seu interior correntes que o fazem. O chavismo exerce forte sedução sobre a sua Secretaria de Relações Internacionais. Acho triste que a direção nacional do partido tenha chegado ao ponto de soltar uma nota oficial em apoio o fechamento, por motivos políticos, do canal venezuelano RCTV. Essa nota não foi contestada pelos parlamentares do PT de quem se esperaria uma palavra de defesa da democracia, como Eduardo Suplicy e José Eduardo Cardozo.

Política externa brasileira de 2008

A política externa brasileira tem duas cabeças. A oficial, que segue a linha histórica do Itamaraty, e a extra-oficial, que é a polítca externa do PT, representada por Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, que boicota a diplomacia tradicional. Garcia acha que a integração latino-americana deve ser feita em bases nacionalistas e anti americanas, quase chavistas. Ele recusa que a América do Sul deva aprticipar da globalização - o que significa recusar a realidade. Por isso, o Brasil deixou de falar duro com Evo Morales diante do aparatoso cerco militar às instalações da Petrobras, das intimidaçõs contra agricultores brasileiros na Bolívia e da ruptura unilateral de contratos que estabeleciam o valor das refinariais

Revista Veja
Edição 2085 - ano 41 - nº44
5 de novembro de 2008
Entrevista Demátrio Magnoli

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A política no Brasil, no ano de 2008 (parte II)

Revista Veja
Edição 2085 - ano 41 - nº 44
5 de novembro de 2008
Entrevista Demétrio Magnolio

A corrupção é um fenômeno muito antigo na história do Brasil e completamente suprapartidário. O que espantou muita gente foi o estilo PT de corromper (que tem a ver com sua visão de mundo. O partido apresentou um modo centralizado de praticar a corrupção. Ao contrário da prática tradicional, feita em nom de ionteresses localizados, o PT deliberou e organizou a corrupção a partir da sua cúpula. Isso provocou uma ruptura muito grande entre o partido e boa parte do seu eletorado tradicional, principalmnete nas grandes cidades.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Política no Brasil, no ano de 2008

Os conceitos de esquerda e direita não estão ultrapassados, desde que sejam compreendidos no marco da democracia. No sistema democrático, há uma tensão permanente entre a liberdade e igualdade. A primeira está associada à direita democrática, para a qual existe um conjunto indissociável de liberdades: a de expressão e organização, a econômia e a de pluralidade de opiniões. Já o conceito de igualdade está associado à esquerda democrática, que defende a necessidade de restringir um pouco a liberdade econômica para que as desigualdades não cresçam muito. As democracias maduras oscliam entre a direita e a esquerda, em busca ora de mais liberdade, ora de mais igualdade. Essa é a história das eleições na Europa e nos Estados Unidos no último meio século. Trata-se de algo muito diferente dos conceitos de esquerda e direita não democrática, estes, sim, ultrapassados.
A palavra "direita" esteve associada no século XX ao fascismo e ao nazismo. Tais regimes foram condenados de maneira absoluta pela população mundial. Em países da América Latina, em aprticular, a direita foi ligada a regimes militares. Por isso, no Brasil, a expressão "direita" ainda é usada, embora cada vez com menor freqüência, como sinônimo de tudo o que deve ser rejeitado. Já o termo "esquerda" costuma ser relacionado a uma idéia de transformação humanista do mundo, imaginada a partir da Revolução Francesa e das lutas sociais do século XIX. Muita gente esquece que elas, em sua origem, deceparam milhares de cabeças por meio da guilhotina. Assim como esquece a brutalidade do stalinismo e do maoísmo, no século XX.
O preconceito contra a direita tende a diminuir. Isso acontece quando um país experimenta a esquerda no poder, como é o caso do Brasil, hoje. Nos países de democracia madura, o argumento "isso é de direit" não serve para encerrar uma discussão. O governo do Lula esta´sendo bom para o nosso amadurecimento político. O PT no poder revelou a esquerda qu faz o mensalão, persegue o caseiro, tenta controlar os meios estatais para sus próprios fins e confunde Estado com governo e partido. Com o tempo, os brasileiros vão se convencer de que os partidos da direita e da esquerda devm existir dentro de um mesmo espectro político, desde que aceitem a democracia.

Revista Veja
Edição 2085 - ano 41 - nº 44
5 de novembro de 2008

Entrevista Demétrio Magnoli