quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cuidado com o ficha limpa

Dos candidatos com ficha suja, o eleitor brasileiro já está careca de saber, como o Paulo Maluf, que dispensa comentários e que pertencem à velha politicagem consagrada como "rouba-mas-faz".
O problema, porém, é outro. Diz respeito aos políticos com bons antecedentes, que podem ser até mais nocivos do que os "fichas sujas", se a única régua para medir a eficiencia de um gestor público for mesmo o da ética. O Brasil, por exemplo, é governado por um mito operário de ficha limpíssima que manchou seu primeiro mandato com o mensalão. No segundo, eclodiram escândalos "menores", como a descoberta da venda ilegal da Varig ao cliente do seu compadre. O Estado de São Paulo, por sua vz, também tem um ficha limpa no comando, o governador José Serra, que faz de tudo para abafar as propinas do caso Alstom. Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves, de reputação ilibada, já foi citado numa planilha do valeoduto mineiro. No Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius, se vê às voltas com denúncias de mensalinho na Assembléi Legislativa não consegue explicar a compra de uma mansão em Porto Alegre. Por onde quer que se ande, sempre haverá um ficha limpa metido em algum escândalo. E 99% deles não respondem a qualquer acção na Justiça.
Isso demonstra que as listas com nomes de "corruptos de plantão" correm o risco de ser arbitrárias e injustas. Em alguns casos, quando a distância é sutil, leas podem transmitir ao eleitor a falsa noção de que alguns candidatos merecem a falsa noção de que alguns candidatos merecem mais créditos do que outros.

"Políticos com bons antecedentes podem ser bem mais perigosos. Seus mensalões quase sempre são perdoados"

Leonardo Attuch
Isto É
Julho de 2008

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